Covid longa: veja sintomas mais comuns em crianças e adolescentes, segundo estudo dinamarquês

Cientistas da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, reuniram dados de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos no país e identificaram os sintomas mais comuns de Covid longa nessa faixa etária.

A pesquisa com os resultados foi publicada nesta quarta-feira (22) na revista científica “The Lancet Child & Adolescent Health”, do grupo “The Lancet”.

Para chegar às conclusões, os pesquisadores enviaram questionários com os 23 sintomas mais comuns da Covid longa às mães ou responsáveis pelas crianças infectadas. Para serem considerados, os sintomas precisavam ter durado no mínimo 2 meses após a infecção pelo coronavírus e não ter nenhuma explicação alternativa.

Veja os sintomas mais comuns por faixa etária:

  • 0 a 3 anos: alterações de humor, erupções cutâneas e dores de estômago
  • 4 a 11 anos: alterações de humor, dificuldade de memória ou de concentração e erupções cutâneas
  • 12 a 14 anos: fadiga, alterações de humor e dificuldade de memória ou de concentração

Os cientistas compararam dados de quase 11 mil crianças e adolescentes diagnosticados com Covid-19, entre janeiro de 2020 e julho de 2021, com os de outros 33 mil que não tiveram a doença.

Nas crianças de 0 a 3 anos, 40% das que tiveram Covid relataram algum dos sintomas por mais de 2 meses (478 de 1.194 crianças). Na faixa etária de 4 a 11 anos, a proporção foi de 38% (1.912 de 5.023 crianças infectadas); e, na de 12 a 14 anos, 46% relataram algum sintoma por mais de 2 meses após a infecção (1.313 de 2.857 adolescentes).

Cada subgrupo etário teve um grupo controle correspondente – de crianças da mesma idade que não tinham um histórico de infecção pela Covid-19. Em todas as faixas etárias, as crianças que tiveram Covid tiveram mais chance de relatar um sintoma por 2 meses ou mais do que as crianças que não tiveram.

Os cientistas fizeram a comparação com o grupo controle porque vários dos sintomas da Covid longa não são específicos e podem ser relatados por crianças saudáveis, como dor de cabeça, alterações de humor, dor abdominal e fadiga.

O que ajudou os cientistas a associarem esses sintomas à Covid foi o fato de que cerca de um terço das crianças e adolescentes infectados não tinham os sintomas antes de terem a doença.

“Nossas descobertas se alinham com estudos anteriores de Covid longa em adolescentes, mostrando que, embora as chances de crianças terem Covid longa sejam baixas, especialmente em comparação com grupos de controle, ela deve ser reconhecida e tratada com seriedade”, ressaltou a pesquisadora Selina Kikkenborg Berg, primeira autora do estudo, do Hospital Universitário de Copenhague.

Kikkenborg Berg completou que mais pesquisas são necessárias para entender melhor os sintomas e as consequências a longo prazo da pandemia nas crianças de agora em diante.

“A oportunidade de realizar pesquisas como essas está se fechando rapidamente, pois a grande maioria das crianças já teve uma infecção por Covid-19, por exemplo, 58% das crianças na Dinamarca tiveram infecção confirmada em laboratório entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022″, pontuou a cientista.

Entre as limitações do estudo, os autores listaram o longo espaço de tempo entre o diagnóstico das crianças e a aplicação do questionário com as perguntas.

Além disso, como a pesquisa se baseou em dados relatados pelos pais, pode haver menos precisão para sintomas psicológicos ou levar a um viés de seleção – pois aqueles que tiveram crianças com sintomas mais graves tendem a responder à pesquisa com mais frequência.

Em um comentário divulgado junto com o estudo, a pesquisadora Maren Rytter, também da Universidade de Copenhague mas que não participou da pesquisa, avaliou que, embora o estudo tenha constatado que sintomas “de qualquer tipo” eram um pouco mais frequentes nas crianças que tiveram Covid-19, o “impacto geral” nelas por terem tido a doença é “provavelmente pequeno” e “muito menor do que o impacto dos efeitos indiretos da pandemia”.

“Para a maioria das crianças com sintomas inespecíficos após a Covid-19, é mais provável que os sintomas sejam causados ​​por algo diferente da Covid-19 e, se estiverem relacionados, é provável que passem com o tempo”, afirmou.

Qualidade de vida e ausência escolar

Além da duração dos sintomas pós-infecção pela doença, os pesquisadores também compararam escores de qualidade de vida e dias ausentes em creches e escolas entre as crianças que tiveram e que não tiveram Covid.

Na faixa etária de 12 a 14 anos, os escores de qualidade de vida foram mais altos – e os relatos de ansiedade, mais baixos – para os adolescentes que foram diagnosticados com Covid-19 do que para os que não foram. Os cientistas creditaram esse achado à conscientização sobre a pandemia e restrições sociais.

“Nossos resultados revelam que, embora crianças com diagnóstico positivo de Covid-19 sejam mais propensas a apresentar sintomas duradouros do que crianças sem diagnóstico prévio, a pandemia afetou todos os aspectos da vida de todos os jovens”, concluiu Kikkenborg Berg.

Conteúdo original publicado por g1.globo