Dia Mundial sem Tabaco: ex-fumante e pneumologista dão dicas para quem quer deixar o vício

Nesta terça-feira (31), é celebrado o Dia Mundial sem Tabaco. A data foi instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1987, para alertar sobre os riscos que o tabagismo impõe à saúde e promover reflexões sobre a necessidade de cessar o vício.

Foi justamente em 1987 que Fernando Cunha, nascido em Araguari e, hoje, morador de Uberlândia, fumou pela primeira vez. Agora, aos 49 anos, o infoprodutor e palestrante contou ao g1 como foi a experiência dele vencendo o vício após passar por um grave problema de saúde.

A reportagem também procurou um médico pneumologista para pedir dicas para quem quer parar de fumar. Confira também quais locais na rede pública de saúde das cidades de Uberlândia e Uberaba oferecem apoio para pessoas que querem deixar o tabagismo.

Fernando relata que fumou o primeiro cigarro quando tinha 15 anos. Segundo ele, a maior influência era os amigos, já que, na época, fumar era considerado um “estilo de vida”.

“Na época, era considerado charmoso fumar, porque não se tinha informação de que fazia mal. Não se tinha essa consciência que o cigarro era prejudicial à saúde”, disse.

Com o tempo, o tabagismo acabou se tornando um vício para Fernando, que fumou por quase 25 anos. Ele conta que consumia cerca de 20 cigarros por dia, mas que sempre teve intenção de parar.

“Não acho que exista algum fumante que queira continuar fumando, porque depois que vicia, sempre queremos parar”, afirmou.

Apesar da duradoura vontade de cessar o vício, o momento de virada para Fernando ocorreu na véspera de Natal de 2012. Foi quando o araguarino, que já tinha hipertensão, foi diagnosticado com uma isquemia cerebral que paralisou o lado esquerdo do corpo dele por meia hora.

“Aquele dia, quando saí do hospital, eu decidi jogar o maço de cigarros que estava dentro do carro no lixo e nunca mais fumei”, relembrou.

2 de 2
Fernando Cunha mostra transformação dele antes e depois de deixar o tabagismo — Foto: Fernando Cunha/Arquivo

Fernando Cunha mostra transformação dele antes e depois de deixar o tabagismo — Foto: Fernando Cunha/Arquivo

A partir daquele dia, o palestrante também mudou os hábitos alimentares e começou a praticar atividades físicas. Tudo isso, segundo ele, contribuiu ainda mais para que ele conseguisse deixar o tabagismo.

“A situação que eu passei me fez ter raiva do cigarro. A vida sem ele é muito diferente, não existe a necessidade de querer sair do avião ou do aeroporto para querer fumar, por exemplo. Você tem mais disposição para tudo”, disse.

Hoje, com a vida transformada, Fernando aconselha aqueles que desejam largar o cigarro a partir da experiência dele: que façam isso de uma vez.

“A partir do momento que você toma a decisão e cria a opinião, você chega ao estado físico e psicológico para, enfim, deixar o vício. Pare enquanto é tempo e, se for parar, pare de uma vez”, sugeriu.

Procurado pelo g1, o médico pneumologista de Uberaba, Leandro Yamamoto, destacou que o cigarro não provoca apenas problemas respiratórios, mas, também, em outros órgãos e aparelhos do nosso organismo, como enfisemas, bronquite, tumor de pulmão, infarto, trombose, entre outros.

O especialista também salientou que casos como o de Fernando, que conseguiu parar de fumar sem ajuda, existem, mas esse processo pode ser mais difícil sem o acompanhamento de um profissional de saúde.

“Hoje temos diversos programas de auxílio à cessão do tabagismo tanto pelo SUS, tanto por convênios. Existem medicamentos que auxiliam nesse processo, além de psicoterapias e técnicas de enfrentamento que a psicologia pode recomendar”, explicou o profissional.

O tratamento com remédios costuma durar 3 meses. Ainda segundo Yamamoto, após o fim do ciclo medicamentoso, os pacientes entram na fase de manutenção do processo de cessação do tabagismo.

“Nessa fase, que dura 9 meses, recomendamos medidas simples, como não ficar perto de quem está fumando, não ficar sentindo o cheiro de fumaça, não ver pessoas fumarem, evitar gatilhos que façam lembrar de fumar, como café e bebidas alcoólicas, entre outros fatores”, recomendou o médico.

Pontos de apoio na região

Ao g1, a Prefeitura de Uberaba informou que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) disponibiliza, na rede de atenção, oito unidades com atendimento individual e em grupo para usuários que desejam parar de fumar. Os usuários devem procurar as unidades de saúde abaixo para acolhimentos e mais informações:

  • UMS Abadia;
  • UMS Maria Teresa/Bairro de Lourdes;
  • USF Julieta/Recreio dos Bandeirantes;
  • USF Planalto;
  • UMS Aluízio Prata/ Elza Amui;
  • USF Norberto/Morada do Sol;
  • Centro de Saúde Eurico Vilela/Centro;
  • USF Palmira Conceição/Santa Rosa.

A Prefeitura afirmou que também prepara mais unidades para ampliar a oferta deste serviço. Além disso, nesta terça-Feira (31) todas as unidades terão ações nas salas de espera voltadas para o Dia Mundial sem Tabaco. As equipes vão falar sobre a temática e sensibilizando os usuários.

Já em Uberlândia, segundo a Prefeitura, não há um centro específico que recebe pessoas que queiram parar de fumar na rede pública de saúde. A população pode procurar as unidades básicas de saúde mais próximas para conseguir ajuda.

Além disso, algumas dessas unidades também oferecem grupos de apoio para pacientes que tenham esse objetivo. Confira na lista abaixo:

  • UBSF Granada;
  • UBSF Serigueiras 2;
  • UBSF São Jorge 1;
  • UBSF Jardim Botânico;
  • UBSF São Jorge 2 e 3;
  • UBSF Lagoinha 1 e 2;
  • UBSS Shopping Park 4;
  • UBSF Morada Nova;
  • UBSF Morumbi 1;
  • UBSF Jardim Célia;
  • UBS Luizote;
  • UBSF Minas Gerais;
  • UBSF Jardim Brasília 2.

VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

Conteúdo original publicado por g1.globo