Diálise peritoneal: o que é, como funciona e indicações

A diálise peritoneal é um tratamento que envolve o peritônio, que é a membrana que recobre a superfície interior do abdômen, com o objetivo de filtrar o sangue e eliminar as toxinas acumuladas no organismo quando os rins não funcionam corretamente, sendo principalmente indicado em caso de insuficiência renal crônica.

Nesse tipo de tratamento, é utilizada uma solução de diálise, que se encontra em uma bolsa, que passa para o peritônio por meio de um cateter que é colocado cirurgicamente no abdômen.

Diferentemente da hemodiálise, na diálise peritoneal a pessoa tem maior liberdade, já que não é necessário ir ao hospital, podendo ser realizada em casa. No entanto, deve ser realizada todos os dias e é indicada apenas em situações específicas de acordo com a orientação do nefrologista. Veja quando a hemodiálise é indicada.

A diálise peritoneal utiliza uma solução que contém água, eletrólitos, solução tampão (lactato e/ ou bicarbonato) e um agente osmótico (dextrose, icodextrina ou aminoácidos), que é introduzida pouco a pouco no abdômen por meio de um cateter que é colocado pelo cirurgião.

Esta solução de diálise, depois de algumas horas, é responsável por absorver os resíduos e excesso de líquido do organismo que ficaram acumulados devido ao mau funcionamento dos rins.

1. Diálise peritoneal manual

A diálise peritoneal manual, conhecida também como diálise peritoneal contínua ambulatória (DPCA), é um procedimento em que a solução de diálise é levada ao abdômen durante 24 horas, devendo ser realizadas várias trocas manualmente ao longo do dia.

Como funciona: o procedimento consiste em introduzir o líquido na cavidade peritoneal, desconectar o cateter na bolsa e colocar uma tampa no cateter para que a pessoa consiga realizar suas atividades do dia a dia.

À medida que o tempo passa, o líquido vai promovendo a remoção das toxinas e a taxa de filtração diminui, de forma que é necessário haver uma nova administração da solução. De forma geral, a administração da solução pode ser feita em 30 a 45 minutos e a solução costuma ficar no abdômen por cerca de 6 horas. No entanto, esse tempo pode variar de pessoa para pessoa, de forma que podem ser necessárias 4 a 5 “recargas” por dia ou de acordo com a orientação do médico.

Vantagens: a diálise peritoneal manual é uma técnica fácil de aprender e realizar e permite que a pessoa realize suas atividades normalmente.

Desvantagens: há maior risco do desenvolvimento de peritonite, maior pressão intra-abdominal, maior número de trocas e variação na hora em que é necessário aumentar as doses.

2. Diálise peritoneal automática

Na diálise peritoneal automática, há o uso de uma máquina conhecida como cicladora, em que a pessoa é conectada à máquina durante a noite, na maioria das vezes, e a máquina se encarrega de fazer o procedimento de administração da solução de diálise, o que pode acontecer entre 3 a 5 vezes, de acordo com a orientação do médico. Esse tipo de diálise é uma opção considerada principalmente para as crianças.

Na diálise peritoneal automática, a pessoa deve permanecer conectada à cicladora entre 10 e 12 horas aproximadamente durante a noite, não sendo necessário realizar durante o dia.

Vantagens: de forma geral, não é necessário realizar trocas durante o dia, podendo a pessoa realizar suas atividades normais do dia a dia e dedicar menor tempo ao procedimento em si, que pode ser realizado durante o sono. Além disso, a pessoa tem maior qualidade de vida, o que permite aumentar as doses da diálise, há menor pressão intra-abdominal, o que a torna mais cômoda e há menor risco de peritonite.

Desvantagens: há maior risco de infecção e, por isso, é fundamental garantir as condições de higiene adequadas. Além disso, é necessário ter uma máquina, que requer aprendizagem específica, além de ser um procedimento um pouco mais complexo e que tem maior custo.

A diálise peritoneal é indicada em caso de insuficiência renal aguda ou crônica, devendo ser recomendado pelo nefrologista de acordo com o resultado de alguns exames que ajudam a avaliar o funcionamento dos rins, como dosagem de ureia, creatinina e potássio no sangue e exame de urina de 24 hora, além da realização do hemograma e dosagem de ferro, ferritina e transferrina.

Em que situações a diálise peritoneal não é recomendada

A diálise peritoneal tem algumas contra-indicações que impedem a colocação do cateter, como:

  • Inflamações abdominais, como doença de Crohn, colite ulcerativa, infecção por Clostridium difficile, diverticulite aguda, esclerose peritoneal, abscesso abdominal e doença hepática grave com ascite;
  • Alterações anatômicas, como uma hérnia não corrigida que poderia aumentar de tamanho com a diálise peritoneal, aderências abdominais graves, presença de ostomia ou sondas de alimentação;
  • Doença psiquiátrica grave e impossibilidade de realizar a auto-diálise sem apoio;
  • Limitações sociais, como não ter condições de higiene adequadas para realizar o procedimento de diálise.

Apesar dessas contra-indicações, o nefrologista é quem irá determinar a necessidade de realizar esse procedimento.

A diálise peritoneal é um tratamento que necessita de tratamento, sendo recomendado que a pessoa vá ao hospital por cerca de 1 a 2 semanas para observar o procedimento e ter orientações adequadas sobre como realizar e como prevenir infecções.

Alguns cuidados que se deve ter para evitar as infecções são guardar os materiais a serem utilizados em um lugar ventilado, limpo e seco, verificar se há algum sinal de contaminação na bolsa de diálise antes de utilizá-la, fazer as trocas em um lugar limpo, lavar as mãos antes de manipular o cateter, assim como manter a pele limpa ao redor do cateter.

A diálise peritoneal pode aumentar o risco de infecção e inflamação abdominal, conhecida como peritonite, e a formação de hérnia, sendo importante que o médico seja consultado para que que seja feito o diagnóstico e iniciado o tratamento mais adequado.

É importante que o médico seja consultado quando surgem sinais e sintomas de infecção, como:

  • Febre;
  • Dor abdominal;
  • Náuseas e/ ou vômitos;
  • Vermelhidão, dor, inflamação e/ ou saída de pus ou secreções ao redor do cateter inserido no abdômen.

Além disso, o cateter pode sair de lugar, sendo importante que a pessoa se dirija ao centro de saúde mais próximo, já que esses sintomas podem ser indicativos de peritonite, que deve ser tratada assim que possível. Saiba como identificar a peritonite.

Conteúdo original publicado por Tua Saúde