‘Era chamada de bruxa e Pinóquio’; empreendedora conta como a rinoplastia melhorou a sua autoestima

“Eu sofria bullying na escola e era chamada de bruxa e Pinóquio. Tinha dois meninos que faziam desenhos de bruxa no quadro e colocavam meu nome. Quando as férias estavam terminando, eu chorava e pedia para o meu pai me tirar da escola, não queria mais estudar”.

A empreendedora Raquel Valadão, de 45 anos, cresceu com muito complexo por causa do nariz. O desconforto começou quando ela tinha apenas 11 anos, na escola.

“Meu nariz começou a me incomodar a partir dos 11 anos. Ele começou a ficar maior, o osso começou a saltar, houve a mudança do rosto de criança para adolescente. Os colegas da sala de aula perceberam que meu nariz não era padrão e começou o bullying”, conta.

Aos 19, Raquel fez a sua primeira rinoplastia. Para realizar a cirurgia, o pai vendeu o carro da família. No entanto, o resultado não foi o esperado. “O que era pra me deixar bem acabou sendo uma decepção. Mas fiquei em silêncio para não deixar meus pais tristes. Afinal, eles se sacrificaram tanto”, diz.

A segunda rinoplastia veio aos 42 anos. Dessa vez, Raquel ficou feliz com o resultado.

“Foi um divisor de águas na minha vida. Antes eu quase não tinha fotos, não gostava muito. Não me produzia, não me maquiava. Depois da segunda cirurgia, comecei a tirar foto de frente, de perfil. Minha autoestima melhorou muito e conquistei o nariz tão desejado, o nariz dos meus sonhos”, completa a empreendedora.

Cirurgia de nariz deve buscar o equilíbrio pra o rosto

Aumenta a procura no Brasil

A rinoplastia foi o procedimento facial mais realizado entre os brasileiros, segundo uma pesquisa da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face (ABCPF) em 2020. O país também liderou o ranking de cirurgia no nariz da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS, na sigla em inglês, no primeiro ano de pandemia.

Segundo o cirurgião plástico Rodrigo Lacerda, o segredo de uma boa rinoplastia está na harmonia – é preciso ter equilíbrio estético e funcional.

“O nariz precisa ser harmônico, compatível com o rosto da pessoa. Não existe uma padronização do nariz. Ele pode ficar bonito em uma pessoa e feio em outra”, alerta Lacerda, que também é membro do ISAPS.

Além disso, o paciente deve se atentar a outras questões na hora de fazer a cirurgia: escolher um bom profissional, entender que cada nariz é único e ter cuidado com propaganda em redes sociais.

“Temos que explicar tudo e não só fazer o que o paciente quer. É comum paciente chegar com foto de artista, celebridade, querendo o nariz da pessoa. Nós temos que respeitar o rosto do paciente, a etnia, precisa harmonizar”, diz o cirurgião plástico.

Conteúdo original publicado por g1.globo