Osteoartrite ou artrose: entenda a condição que causa dores no joelho do Papa Francisco

O papa Francisco cancelou sua viagem à África devido a problemas de saúde — ele visitaria a República Democrática do Congo e o Sudão do Sul no início de julho. Na semana passada, o Vaticano anunciou que o motivo do adiamento, sem data para retorno ao continente, é uma doença que o pontífice, de 85 anos, tem no joelho: a osteoartrite.

“Sinto muito ter que adiar esta viagem, que ainda estou muito ansioso para fazer”, disse Francisco em seu discurso de domingo (12), diante de milhares de pessoas na Praça de São Pedro.

“Peço-lhes que me perdoem por isso. Oremos juntos para que, com a ajuda de Deus e com tratamento médico, eu possa ir até vocês o mais rápido possível. Estamos esperançosos”, complementou.

Papa aparece em cadeira de rodas

A osteoartrite também é chamada de osteoartrose, artrose ou doença articular degenerativa, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).

É uma condição que se caracteriza pelo desgaste da cartilagem das articulações e por alterações nos ossos, entre elas, os osteófitos, conhecidos como “bicos de papagaio”.

Entre os reumatismos — conjunto de mais de 200 doenças que afetam articulações, músculos, ligamentos, tendões —, a osteoartrite é a mais frequente e representa cerca de 30% a 40% das consultas dos ambulatórios de reumatologia.

“Sua importância pode ser demonstrada através dos dados da previdência social no Brasil, pois é responsável por 7,5% de todos os afastamentos do trabalho; é a segunda doença entre as que justificam o auxílio-inicial, com 7,5% do total; é a segunda também em relação ao auxílio-doença (em prorrogação) com 10,5%; é a quarta a determinar aposentadoria (6,2%)”, aponta a SBR.

A Associação Beneficente Síria – Hcor explica que a principal causa é o envelhecimento.

É comum que os pacientes não tenham histórico da condição na família, mas, após os 50 anos, devido ao desgaste natural, desenvolvam a osteoartrite. Além disso, também são outras possíveis causas:

  • atividades que possam sobrecarregar uma ou mais articulações;
  • esportes de movimentos frequentes, como o futebol e o tênis;
  • falta de força muscular, principalmente nas pernas;
  • excesso de atividades que necessitem de movimentos repetitivos, como ajoelhar e levantar;
  • traumas, como quedas, torções ou pancadas;
  • obesidade;
  • histórico familiar.

De acordo com o Hospital Israelita Albert Einstein, a osteoartrite não tem cura. No entanto, existem recursos disponíveis para retardar o avanço da doença e aumentar a qualidade de vida.

  • Tratamento convencional: combina medicamentos (analgésicos e anti-inflamatórios) e fisioterapia.

“Na fase inicial, a artroscopia também pode ser uma aliada. Com o auxílio de uma microcâmera e instrumentos adequados, essa técnica cirúrgica minimamente invasiva permite tratar uma série de lesões articulares, como as de menisco, e remover fragmentos que se desprendem do tecido cartilaginoso no processo da artrose”, explica o hospital.

  • Novos tratamentos: há, ainda, a prescrição de fitoterápicos de ação anti-inflamatória. Segundo o Einstein, os produtos de origem vegetal provocam menos impacto no estômago e nos rins.

Além disso, estão em desenvolvimento o implante de células cartilaginosas extraídas do próprio paciente e cultivadas em laboratório, segundo o Einstein, e o transplante de cartilagens retiradas de cadáveres. Por enquanto, são procedimentos em fase testes e pesquisas.

Conteúdo original publicado por g1.globo