Pelos de Gretchen: genética, chip da beleza e medicamento para calvície são possíveis causas da condição

Com fotos e vídeos no Instagram, a cantora Gretchen rebateu nesta terça-feira (31) seguidores que a criticaram por ter pelos nos braços e na região do colo.

“Já que meus pelos são o assunto do momento, aí vai um close deles para vocês. Choraaaaaaa nesses pelos sensuais”, escreveu. Em seguida, Gretchen postou um vídeo dançando e mostrando os pelos em destaque.

Ao g1, a artista contou que a quantidade de pelos aumentou devido a um tratamento hormonal no qual toma testosterona.

Especialistas ouvidos pela equipe de reportagem dizem que há mais de uma possível explicação para a condição, que não é considerada anormal e pode ocorrer com diferentes perfis de pessoas (leia mais abaixo).

Genética, hormônios (como a testosterona) e até mesmo o uso do chip da beleza podem estar entre as explicações para o quadro de mulheres que exibem mais pelos do que o considerado padrão.

A causa mais comum, segundo Fabiano Lago, endocrinologista que atende em Curitiba, no Paraná, é a genética ligada à etnia da pessoa. Pacientes com uma ascendência indígena têm uma tendência a ter menos pelos na região, enquanto árabes geralmente apresentam uma maior quantidade.

Luciano Barsanti, médico e presidente da Sociedade Brasileira de Tricologia (ramo que trata dos cabelos e pelos na dermatologia), também afirma que a genética é uma das causas de um maior número de pelos em diferentes partes do corpo.

Barsanti reforça que não é possível fazer um diagnóstico ou análise do caso da Gretchen à distância, mas comenta a postura da cantora:

“Esse tipo de publicação na mídia favorece a diminuição do preconceito contra pessoas que às vezes têm vergonha de mostrar determinadas características do seu corpo, que não são doenças, são características. As pessoas devem ser aceitas como elas são”, disse.

Sobre o uso de hormônios masculinos por mulheres para a ampliação dos efeitos da musculação, Lago explica que o aumento de pelos é mais visível no rosto, onde há chance de desenvolver, com o tempo, um aspecto de “barba”. Os pelos no braço e perna podem aumentar, segundo ele, mas não a ponto de chamar tanto a atenção.

Já João Eduardo Salles, endocrinologista e coordenador da Disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, tem uma opinião diferente: “menopausa pode aumentar, mas deste jeito pode ser uso de hormônios”.

Outro fator que pode aumentar a produção de pelos é o uso do medicamento Minoxidil em excesso, prescrito para o tratamento da calvície, de acordo com Barsanti. Além disso, o tricologista explica que “existem doenças que também podem levar a mais pelos pelo corpo, como a síndrome dos ovários policísticos”.

Maria Edna De Melo, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), também aponta que tratamentos hormonais podem estar relacionados à mudança nos pelos: “hoje existe um boom de médicos prescrevendo um gelzinho para aumentar a libido, massa muscular da mulherada”, disse a respeito dos implantes conhecidos como “chips da beleza”.

“Os efeitos colaterais são acne, excesso de pelos, aumento do clitóris, irritabilidade e aumento de risco cardiovascular. Prescritos e aplicados como se fossem água de beber. Não sei se é o caso da artista”, explicou.

Ela disse que a “prescrição é uma praga!”, que pode ser feita em gel ou em implante. No caso da segunda opção, são “os famosos chips”. Barsanti ratifica o posicionamento de De Melo e afirma que os chips da beleza podem ter diversos efeitos colaterais, incluindo o aumento de pelos.

“Eles [chips] contém anabolizantes e outros hormônios, como as estrionas, e um dos efeitos colaterais é o aumento de pelos”, explicou.

Em setembro de 2021, o g1 publicou uma reportagem sobre a “febre” relacionada ao uso desses produtos. À época, os especialistas se posicionaram contra o uso dos “chips da beleza” para fins estéticos.

Para tratamento médico, esses dispositivos estão vinculados a possíveis efeitos terapêuticos no tratamento de sintomas da menstruação, menopausa, doenças dependentes do estrogênio (hormônio feminino) ou contracepção.

Contudo, ele se popularizaram devido aos seus supostos efeitos colaterais, que podem incluir aumento de massa muscular, da libido e da disposição física.

Abaixo, veja reportagem sobre o tema.

Chip da beleza: implante hormonal para fins estéticos pode causar danos irreversíveis

Conteúdo original publicado por g1.globo