Proteína na urina (proteinúria): o que pode ser, sintomas e tratamento

A presença de proteínas na urina em excesso é conhecida cientificamente por proteinúria e pode ser indicativa de alterações renais, hipertensão arterial ou diabetes.

Os rins filtram o sangue, eliminando aquilo que não interessa e retendo aquilo que é importante para o organismo, no entanto, em algumas situações, os rins permitem que as proteínas passem pelos seus filtros, causando um aumento na quantidade de proteína na urina.

Quando a presença de proteína não está associado a outros sintomas e nem a doenças, é considerada uma proteinúria isolada, podendo ser consequência de estresse ou da prática de atividade física intensa, por exemplo.

Causas e tipos de proteinúria

O aumento da quantidade de proteínas na urina pode acontecer devido a diversas situações e, dependendo da causa e do tempo que se pode detectar a presença de proteínas na urina, a proteinúria pode ser classificada em:

1. Proteinúria transitória

As situações que causam uma elevação temporária de proteínas na urina são:

  • Desidratação;
  • Estresse emocional;
  • Exposição a frio extremo;
  • Febre;
  • Exercício físico intenso.

Estas situações não são motivo para preocupação, sendo normalmente passageiro.

2. Proteinúria ortostática

Na proteinúria ortostática, a quantidade de proteína na urina aumenta quando se está de pé, e normalmente observa-se em crianças e jovens que são altos e magros. A secreção de proteínas na urina acontece principalmente durante o dia, quando os níveis de atividade são altos, por isso, se a urina for colhida pela manhã, ela não deverá conter proteínas.

3. Proteinúria persistente

As doenças e situações que causam elevados níveis de proteína na urina de uma forma persistente, podem ser as seguintes:

  • Amiloidose, que consiste numa acumulação anormal de proteínas nos órgãos;
  • Uso prolongado de alguns medicamentos, como anti-inflamatórios não esteroides;
  • Doença crônica ou doença renal policística dos rins ou infecção dos rins;
  • Doença do coração ou infeção do revestimento interno do coração;
  • Linfoma de Hodgkin e mieloma múltiplo;
  • Glomerulonefrite, que consiste na inflamação dos glomérulos renais;
  • Diabetes, porque afeta a capacidade dos rins para filtrar o sangue ou reabsorver as proteínas no sangue;
  • Pressão alta, que danifica as artérias localizadas dentro e ao redor dos rins, afetando negativamente a função destes órgãos;
  • Nefropatia IgA, que consiste numa inflamação renal resultante de um acúmulo do anticorpo imunoglobulina A;
  • Sarcoidose, que consiste no desenvolvimento e crescimento de aglomerados de células inflamatórias nos órgãos;
  • Anemia falciforme;
  • Lúpus;
  • Malária;
  • Artrite reumatoide.

Valores altos de proteína na urina também podem acontecer na gravidez, podendo estar relacionada com diversos fatores, como o aumento do trabalho dos rins para filtrar o excesso de líquidos, excesso de estresse, infecção urinária, ou em casos mais graves, pré-eclâmpsia. Veja mais sobre estes os sintomas de proteinúria na gravidez.

A pré-eclâmpsia consiste numa complicação séria da gravidez, que deve ser detetada o mais rápido possível, para poder evitar problemas de saúde na grávida, podendo estar associada a outros fatores como aumento da pressão arterial, dor de cabeça ou inchaço no corpo. Saiba mais sobre a pré-eclampsia.

Possíveis sintomas

A proteinúria pode ser resultado de diversas situações, não sendo os sintomas especificamente relacionados à presença de proteínas na urina, mas sim às causas. 

No entanto, se a proteinúria for indicativa de doença renal, podem surgir outros sintomas como enjoos e vômitos, diminuição na produção de urina, inchaço nos tornozelo e em torno dos olhos, sabor desagradável na boca, fadiga, falta de ar e de apetite, palidez, secura e coceira generalizada na pele. Além disso, a urina também pode estar espumosa e provocar dor e sensação de queimação ao urinar. Entenda o que é insuficiência renal, sintomas e como é feito o tratamento.

O tratamento depende muito da causa da proteinúria, por isso deve-se ir ao médio de forma a fazer o diagnostico correto, e determinar o que esta a provocar o excesso de proteína na urina.

Como é feito o exame

As proteínas podem ser detetadas facilmente na urina por meio do exame de urina de tipo 1, também conhecido EAS, em que uma tira de papel com reagentes químicos é mergulhada na amostra de urina, e caso exista grande quantidade de proteína na amostra, uma parte específica da tira muda de cor. Veja como entender o resultado do exame EAS.

Caso seja verificado que a urina tem grandes quantidades de proteína, pode ser também realizado um exame de urina de 24h, para a medição de proteína e depuração de creatinina, que ajuda a avaliar e controlar a função do rim, ajudando assim a detetar possíveis doenças. Saiba tudo sobre o exame de urina de 24 horas.

Como se preparar para o exame

Antes de realizar o exame, deve-se falar com o médico de forma a se preparar corretamente, para que o resultado não seja errado. Assim, pode ser necessário parar de tomar alguns medicamentos ou suplementos que possam interferir com os resultados do teste. 

Outros fatores podem interferir com o teste, como desidratação ou não beber água suficiente, ter sido submetido a um exame radiológico de contraste em que tenha sido utilizado algum tipo de corante, ter sido submetido a uma situação de estresse emocional extremo, exercício físico extremo, caso tenha uma infecção urinária, ou caso a urina esteja misturada com secreções vaginais, sangue ou sêmen. 

Caso o exame da urina seja feito em mulheres, é muito importante esperar 5 a 10 dias após o término do ciclo menstrual antes de fazer o exame, para evitar contaminar a urina com vestígios de sangue do período.

Conteúdo original publicado por Tua Saúde