Renata Capucci revela que tem Parkinson; entenda sintomas, causas e tratamentos

“Eu fui diagnosticada com doença de Parkinson em outubro de 2018, quando tinha 45 anos. Hoje, eu tenho 49. Eu estava no meio do programa Popstar, que eu participei. Comecei com os sintomas um pouquinho antes. Comecei a mancar e as pessoas falavam para mim: ‘por que você está mancando, Renata?’. E eu falava: ‘eu não estou mancando’. Eu não percebia que estava mancando”, contou a jornalista.

“Aí fui fazer fisioterapia, osteopatia e a coisa não mudou. E aí em um dado momento, no meio do Popstar, depois do sexto programa, eu estava em casa e o meu braço subiu sozinho, enrijecido. E o meu marido que é médico, logo depois do programa, me levou para um hospital que tinha emergência neurológica e eu fui diagnosticada com Parkinson. Aquilo caiu como uma bigorna em cima da minha cabeça”.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a estimativa é a de que 200 mil pessoas tenham Parkinson no Brasil.

Mas o que é o Parkinson? A doença tem cura? O g1 responde, abaixo, perguntas sobre a doença:

  • O que é o Parkinson? Tem cura?
  • Em qual idade o Parkinson aparece?
  • Quais são as causas?
  • Quais os sintomas e diagnóstico?
  • Como diferenciar tremores normais dos sintomas do Parkinson?
  • Quais os tratamentos? O que dizem os estudos?

Doença de Parkinson: entenda o que é

O que é o Parkinson? Tem cura?

A doença de Parkinson atinge 1 a 2% da população mundial acima dos 65 anos e aumenta com a idade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estima-se que 200 mil pessoas tenham Parkinson.

O Parkinson é uma doença neurológica, que afeta os movimentos da pessoa. Ocorre por causa da degeneração das células que produzem a dopamina, que conduz as correntes nervosas (neurotransmissores) ao corpo. A falta ou diminuição da dopamina afeta os movimentos, provocando sintomas como tremores, rigidez muscular, desequilíbrio.

A doença não tem cura, mas os tratamentos disponíveis garantem o mínimo de qualidade de vida para os pacientes (leia mais abaixo).

“Atualmente, temos muitos tratamentos sintomáticos: medicamentosos, cirúrgicos e comportamentais, mas não temos modificadores da doença e nem a cura. Felizmente, encontram-se mais de 150 estudos em andamento com medicações sintomáticas e possíveis modificadoras da doença. Acredito, assim, que o futuro será promissor”, explica Mariana Moscovich, neurologista especialista em distúrbios do movimento.

Em qual idade o Parkinson aparece?

A idade mais comum é acima dos 60 anos. No entanto, uma pequena porcentagem dos pacientes pode desenvolver a doença em idades mais jovens. “Esses pacientes normalmente apresentam uma etiologia genética (causa genética com gene conhecido) e apresentam diferenças clínicas, quando comparados com os pacientes mais idosos”, ressalta Moscovich.

Ela explica também que o Parkinson precoce ocorre entre 21 e 40/50 anos. Já o Parkinson juvenil, o diagnóstico ocorre abaixo dos 21 anos.

Acredita-se que a causa do Parkinson seja multifatorial. “Os genes ‘carregam a arma’ e o meio ambiente ‘puxa o gatilho’. Isso quer dizer que o paciente pode ter uma alteração genética e os fatores ambientais irão ativar ou desativar esse gene”, explica a neurologista.

Segundo a especialista, alguns fatores podem aumentar a chance de uma pessoa vir a desenvolver a doença, como fatores de risco ambientais e genética.

“Estudos mostram que de 3 a 5% dos casos de pacientes diagnosticados com a doença de Parkinson podem estar relacionados a uma causa genética. Existem diversos genes que já foram reconhecidos como causadores da doença, alguns com herança autossômica recessiva, outros com herança autossômica dominante”, diz.

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A Doença de Parkinson afeta a capacidade do cérebro de controlar os movimentos, levando a tremores, rigidez muscular, lentidão de movimentos e alterações de marcha e equilíbrio — Foto: StockSnap para Pixabay

A Doença de Parkinson afeta a capacidade do cérebro de controlar os movimentos, levando a tremores, rigidez muscular, lentidão de movimentos e alterações de marcha e equilíbrio — Foto: StockSnap para Pixabay

Quais os sintomas e diagnóstico?

Apesar dos sintomas motores serem a principal característica da doença e determinarem seu diagnóstico, os sintomas não motores são muito importantes por causarem grande impacto na qualidade de vida do paciente, explica Moscovich.

  • Tremor (que pode estar ausente em 20% dos casos);
  • Rigidez
  • Lentidão
  • Distúrbio de marcha e equilíbrio
  • Escrita diminuída
  • Depressão, ansiedade, transtornos do humor, apatia
  • Psicose
  • Distúrbios cognitivos
  • Disfunções autonômicas (hipotensão postural, sintomas gastrointestinais, constipação, problemas urinários, disfunção sexual)
  • Distúrbios do sono

O diagnóstico da doença é feito com base na história clínica do paciente e no exame neurológico. Não há nenhum teste específico para o seu diagnóstico ou para a sua prevenção.

Como diferenciar tremores normais dos sintomas do Parkinson?

“No geral, os pacientes com tremor parkinsoniano apresentam um tremor mais lento. Geralmente ele ocorre em situações de repouso, quando o paciente está distraído, e de maneira assimétrica – comprometendo um lado mais que o outro”, esclarece a neurologista.

Já no tremor essencial, o paciente apresenta um tremor mais rápido e está presenta nas duas mãos. “Ele ocorre quando o paciente está nervoso ou realizando uma ação. Esses pacientes normalmente apresentam algum familiar com os mesmos sintomas e relatam que o tremor iniciou desde jovem, sem muita progressão ou piora”, completa.

Quais os tratamentos? O que dizem os estudos?

Segundo a especialista, entre as terapias disponíveis estão: remédios, cirurgia e atendimento multidisciplinar, que podem fornecer alívio e melhorar a qualidade de vida do paciente. “As principais medicações disponíveis hoje para serem utilizadas no tratamento dos sintomas motores são a levedopa, agonistas dopaminérgicos e inibidores da MAO-B”.

Moscovich diz que existem novas terapias, em especial para tratar sintomas não motores da doença de Parkinson. Algumas já estão disponíveis nos Estados Unidos e Europa e, em algum momento devem chegar ao Brasil.

Sobre estudos, ela conta que existem estudos em ensaios clínicos para o tratamento de sintomas motores e não motores, assim como tratamentos que visam prevenir, abrandar ou reduzir a progressão geral do Parkinson.

“As investigações sobre neuroproteção estão na vanguarda das pesquisas em doença de Parkinson. Várias moléculas foram propostas como tratamentos potenciais, no entanto, nenhuma delas demonstrou de forma conclusiva a redução da degeneração. A redução da patologia da alfa-sinucleína é o principal foco da pesquisa pré-clínica. Uma vacina que prepara o sistema imunológico humano para destruir a alfa-sinucleína entrou em ensaios clínicos e um relatório de fase 1, em 2020, sugeriu segurança e tolerabilidade”, finaliza.

Conteúdo original publicado por g1.globo