Vacinas contra herpes-zóster, o ‘cobreiro’, estão fora do SUS; novo imunizante chega a custar R$1.686

A vacina Shingrix para a prevenção do herpes zoster, da farmacêutica britânica GSK, chega ao Brasil quase um ano depois da aprovação regulatória da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em agosto de 2021.

Administrada em duas doses, com intervalo de dois meses entre as aplicações, a fabricante promete mais de 90% de eficácia em pessoas a partir de 50 anos, uma das populações alvo da vacina.

No entanto, o imunizante também é recomendado para qualquer adulto com mais de 18 anos com maior risco de contrair a doença, como pacientes imunocomprometidos. Essa é a primeira vez que uma indicação do tipo estará disponível no país. Antes disso, somente o imunizante da MSD, a Zostavax, detinha aprovação no Brasil, mas não para esse público.

Nenhuma das vacinas estão disponíveis no Programa Nacional de Imunizações, o PNI. Como uma imunização completa chega a custar 1.686 reais no mercado privado, veja abaixo quais são as indicações de vacinação e quais as perspectivas para a inclusão no sistema público de saúde.

1) Quais são as recomendações das vacinas?

Segundo a Anvisa, a vacina da GSK (Shingrix) com o vírus inativoé indicada para adultos com idade igual ou superior a 50 anos e adultos com idade igual ou superior a 18 anos com risco aumentado para o herpes-zóster, geralmente pessoas em tratamento de câncer, indivíduos que vivem com HIV, que vão se submeter a transplantes de medula óssea ou órgãos, lúpus, esclerose múltipla, etc.

Já a vacina da MSD (Zostavax), produzida com o vírus vivo atenuado e aprovada pela agência reguladora desde o início de 2014, não é indicada para os imunocomprometidos.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), ela equivale em potência a 14 vezes a vacina de varicela, e foi aprovada para uso em dose única em adultos chamados de imunocompetentes (que conseguem induzir uma resposta imune normal) acima de 50 anos de idade. A vacina também mostrou uma eficácia protetora contra o herpes-zóster de cerca de 69,8%.

Isabella Ballalai, vice-presidente da SBIm, explica que como o herpes zoster acomete quem já teve catapora, a imunização é recomendada para os grupos de riscos: os maiores de 50, principalmente idosos com mais de 60 anos, e os imunodeprimidos, independente da idade.

“As vacinas servem para evitar o herpes-zóster, a neuralgia pós-herpética (uma dor persistente que pode durar por mais de três meses) e entre outras complicações, como a paralisia facial”, explica a especialista. “E quanto mais velho maior o risco [de ter a doença]”.

Já para os jovens, Ballalai salienta que são raros os casos de pacientes que não são imunodeprimidos que se infectam.

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Zostavax, imunizante da MSD/MERCK contra o herpes-zóster. Vacina não é indicada para imunocomprometidos. — Foto: UK Health Security Agency/Divulgação

Zostavax, imunizante da MSD/MERCK contra o herpes-zóster. Vacina não é indicada para imunocomprometidos. — Foto: UK Health Security Agency/Divulgação

Como é a doença e quais são os sintomas?

Popularmente conhecido como cobreiro, o herpes-zóster tem consequências graves caso não diagnosticado e tratado com rapidez, podendo acometer terminações nervosas nos olhos, no ouvido e na face, causando paralisia, perda auditiva e visual.

Um exemplo recente é o caso do cantor Justin Bieber, diagnosticado com a síndrome de Ramsey-Hunt, que é a herpes-zoster do ouvido.

A doença é provocada pelo mesmo vírus que causa a varicela (catapora), o chamado varicella-zóster, e é diferente do herpes-labial. O mais comum é condição atingir imunossuprimidos ou pessoas que tiveram uma diminuição da sua imunidade, como uma infecção ou algum outro problema de saúde.

De acordo com o Ministério da Saúde, os principais sintomas que antecedem as lesões na pele típicas da doença (e em geral dolorosas) são os seguintes.

  • dores nevrálgicas (nos nervos);
  • parestesias (formigamento, agulhadas, adormecimento, pressão etc);
  • ardor e coceira locais;
  • febre;
  • dor de cabeça;
  • mal-estar.

Ballalai acrescenta que o herpes-zóster NÃO é transmissível para uma pessoa que esteja imune à varicela (como todas aquelas pessoas que tiveram catapora), mas que as lesões cutâneas que acometem quem tem o vírus da doença podem provocar a transmissão da catapora.

“Você não vai pegar o herpes-zóster, agora uma criança que não teve catapora e não foi vacinada pode pegar a catapora com esse adulto [que está com o vírus da varicella-zóster]”, diz Ballalai.

Quanto custam as vacinas? Como devem ser administradas?

O esquema de doses da Shingrix (GSK) são duas imunizações com intervalo de dois meses. O custo por aplicação é de R$ 843 (1.686 reais no total).

Já Zostavax (MSD) é administrada em esquema de dose única, que custa em média R$570.

“Quem já tomou a vacina atenuada (MSD), a gente recomenda que tome a vacina inativada (GSK), por que a vacina atenuada protege, em geral, por quatro anos. Já a inativada, não só protege por mais tempo, como é mais eficaz”, detalha Ballalai. “E quem teve herpes-zóster e é grupo de risco também deve se vacinar, porque o risco continua: a doença pode vir mais de uma vez”.

Vacinas não estão no PNI

Tanto os imunizantes da GSK como o da MSD não estão no Programa Nacional de Imunizações, o PNI, o que dificultada o acesso para quem precisa da vacina e não tem condições de pagar o preço do mercado.

Para a vice-presidente da SBIm, a inclusão dessas vacinas no sistema público é “sempre desejada”, principalmente para aqueles indivíduos com mais de 60 anos.

Apesar disso, ela pontua que como essa disponibilização depende de diversos fatores, como estudos de custo-efetividade, o melhor caminho e o “mais rápido” poderia ser a disponibilização desses imunizantes nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE), unidades de saúde públicas e gratuitas que fornecem vacinas não disponíveis no PNI para portadores de imunodeficiência.

O g1 questionou o Ministério da Saúde sobre a possibilidade de inclusão desses imunizantes no sistema público, mas não obteve resposta da pasta até a última atualização desta reportagem.

Conteúdo original publicado por g1.globo